O novo Ford Ka acabou de sair do forno, e não vou aqui fazer uma avaliação sobre ele – para isso, diversos sites, revistas e fóruns já começaram a fazer, e em breve teremos uma infinidade de comparativos.

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Novo Ka, agora com inspiração (bem de longe) com a frente de Aston Martin

Minha proposta aqui é diferente e, quem sabe, um pouco mais complexa que isso: o que você, comprador, ganha com isso?

Mas antes, vou jogar aqui alguns números do mercado automotivo atual:
• Mais de 50 lançamentos esperados para 2014.
• Desses, 24 foram lançados no primeiro semestre.
• 2013 foi um pouco mais aquecido, e tivemos mais de 60 carros lançados, entre novos e face-lifts.
• Apesar da queda de 7,3% em relação ao mesmo período de 2013, até junho de 2014 tivemos 1.582.634 veículos leves emplacados, segundo a Fenabrave.

1.582.634. Um milhão, quinhentos e oitenta e dois mil, seiscentos e trinta e quatro… Nota mental: É muito carro, e mesmo com todo mundo reclamando dos preços abusivos, mas isso é assunto pra depois.

O que eu quero expor aqui é que nosso mercado automotivo, mesmo que aos trancos, está aquecido. Temos em média mais de quatro lançamentos por mês. Temos marcas que nunca nem pensaríamos em ter por aqui – de chinesas desconhecidas à preparadoras como a Brabus.

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Brabus, deixando as Mecas menos sem graça desde 1977.

Isso resulta em uma coisa muito benéfica para qualquer livre comércio: concorrência. A concorrência é o que faz uma empresa precisar vender mais que a outra. Para isso ela precisa provar que o produto dela é melhor. Pra ter produto melhor e vender mais, ele tem que ser mais barato. Para ser mais barato e ainda assim atrativo, tem que ter diferenciais. Para manter o preço mesmo adicionando diferenciais, precisa-se otimizar a produção, com ganhos de escala.

O catalisador deixou de ser algo de luxo há quase 30 anos. Direção hidráulica já é coisa do passado, e hoje falamos de direção elétrica. O próprio cinto de segurança já foi opcional. Air-bag e ABS hoje são obrigatórios. Injeção eletrônica até a nossa saudosa Kombi adotou.

O Novo Ka já sai com todos esses itens de fábrica e, em algumas versões, tem o tão alardeado controle eletrônico de estabilidade – inédito até então nesta categoria de entrada, e restrito a categorias de luxo, de imagem, e em esportivos. O assistente de partida em rampa – aquela ajudinha eletrônica de 2 ou 3 segundos pro seu carro não voltar num aclive – também é algo que só se via em carros de categorias superiores, e já faz parte do pacote do New Fiesta e Fiat 500, mesmo em versões com câmbio manual.

Respondendo a pergunta inicial deste post “Quem ganha com tudo isso?” é você. Você não está pagando a mais por isso (estamos pagando caro, mas não pelos itens adicionados). O Novo Ka, que estará a venda oficialmente em setembro deste ano, possui coisas que não estavam disponíveis nem em carros de luxo de meados da década de 90 – pode procurar uma lista de equipamentos disponíveis num Vectra ou no Marea daquela época. A lista era ainda muito menos extensa no próprio Ka quando foi lançado no Brasil. O Ka naquela época variava de 12 mil a 25 mil reais, o que em dinheiro de hoje representa de 27 mil a 52 mil reais. Valores muito próximos do Novo Ka, só que com todos os equipamentos citados acima mesmo na versão de entrada, e que não estavam todos disponíveis nem na versão top do passado.

O consumidor só tem a ganhar com essa concorrência. E muito em breve, com o dinamismo e evolução do mercado de hoje, veremos outros equipamentos de luxo sendo popularizados – os câmbios automáticos até em carros 1.0 estão aí pra não deixar mentir… E aí, alguma aposta de quais equipamentos veremos nos nossos populares dentro dos próximos dez anos?

Pseudo-intelectual, gerente de projetos, amante de carros, crítico nas horas vagas, reticente, e ...